terça-feira,9 julho , 2024
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Por que algumas pessoas não pegam Covid? Novo estudo pode ter a resposta | CNN Brasil

por gabrielamaraccini
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Um novo estudo descobriu que algumas pessoas não são infectadas pelo vírus da Covid-19 por possuírem respostas imunitárias únicas que as ajudam a evitar uma infecção sustentada. As descobertas foram publicadas na quarta-feira (19), na renomada revista científica Nature.

Os achados se baseiam em amostras obtidas em um estudo de desafio humano da Covid-19 — isso significa que os pesquisadores expuseram, propositalmente, voluntários ao vírus Sars-CoV-2, a fim de estudar detalhadamente suas respostas imunológicas. O trabalho foi liderado pelo Instituto Wellcome Sanger, pela University College London (UCL), pelo Imperial College London, pelo Instituto do Câncer da Holanda, entre outras instituições.

Para realizar o estudo, os pesquisadores aplicaram o vírus Sars-CoV-2 pelo nariz de 36 voluntários adultos saudáveis sem histórico prévio de Covid-19. Eles realizaram o monitoramento detalhado do sangue e do revestimento do nariz dos participantes, rastreando a infecção e a atividade das células imunológicas. Do total de voluntários, seis desenvolveram a infecção.

Usando tecnologia de sequenciamento unicelular para um conjunto de mais de 600 mil células individuais, os pesquisadores descobriram que as pessoas que não desenvolveram Covid-19 apresentavam respostas imunológicas anteriormente não reconhecidas que lhes permitiam resistir a infecções e doenças virais sustentadas. Além disso, a partir do estudo, os pesquisadores obtiveram um retrato detalhado dos tipos de células envolvidas nessa proteção.

Respostas imunológicas únicas

Segundo a pesquisa, as pessoas que eliminaram imediatamente o vírus não mostraram uma resposta imune generalizada típica, mas, em vez disso, respostas imunes inatas e nunca antes vistas pela ciência no nariz. Os pesquisadores sugerem que altos níveis de um gene chamado HLA-DQA antes da exposição ao vírus também ajudaram as pessoas a prevenir o aparecimento de uma infecção sustentada.

Por outro lado, os seis indivíduos que desenvolveram uma infecção sustentada por Covid-19 exibiram uma resposta imunitária rápida no sangue, mas uma resposta imune lenta no nariz, permitindo que o vírus se estabelecesse ali.

Os pesquisadores também identificaram padrões comuns entre os receptores de células T ativados, que reconhecem e eliminam células infectadas por vírus. Isso ajudou a oferecer uma maior compreensão sobre a comunicação das células imunológicas e o potencial para o desenvolvimento de terapias direcionadas de células T não apenas contra a Covid-19, mas, também, contra outras doenças.

“Essas descobertas lançam uma nova luz sobre os eventos iniciais cruciais que permitem que o vírus se instale ou o eliminem rapidamente antes que os sintomas se desenvolvam. Temos agora uma compreensão muito maior de toda a gama de respostas imunitárias, o que poderia fornecer uma base para o desenvolvimento de potenciais tratamentos e vacinas que imitem estas respostas protetoras naturais”, comenta Marko Nikolic, autor sênior do estudo na UCL e consultor honorário em medicina respiratória, em comunicado à imprensa.

Cronograma mais abrangente sobre como o corpo responde ao vírus

Do ponto de vista dos pesquisadores, o estudo fornece o cronograma mais abrangente até o momento sobre como o corpo responde à primeira exposição ao Sars-CoV-2 ou a qualquer doença infecciosa.

“Este artigo destaca o valor das abordagens poderosas e de ponta aplicadas através da colaboração no primeiro estudo mundial de desafio humano de SARS-CoV-2”, afirma Christopher Chiu, do Departamento de Doenças Infecciosas do Imperial College London, líder do estudo, em comunicado. “Este programa de pesquisa continua a fornecer visões únicas sobre como o sistema imunológico nos protege de infecções que não podem ser alcançadas em nenhum outro ambiente”, completa.

Segundo o pesquisador, as descobertas do estudo de desafio humano terão impacto tanto no desenvolvimento de tratamentos de próxima geração para a Covid-19, quanto no desenvolvimento de intervenções para outros surtos e pandemias futuras.

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